Após escalada recente, pode-se falar em tendência de alta dos mercados?

Março 25, 2009

Por Roberto Altenhofen Pires Pereira, InfoMoney.

As reações do mercado mudaram de maneira impressionante. Seu humor também vai mudando. De fato, as últimas semanas trouxeram um otimismo não visto há tempos nas bolsas. É verdade que o noticiário deu uma trégua nos últimos dias e alguns indicadores até sugerem certa melhora em alguns pontos para a economia, mas é motivo para se falar em tendência de alta?

Como exemplo, os principais índices de ações dos Estados Unidos demoraram mais de sete meses de baixas para oficializarem o Bear Market somente em setembro do ano passado, acumulando desvalorização de mais de 20%. Somente em março, já registram valorização entre 17% e 14%.

 

Só vê o que quer ver

É inegável que agora a base de cálculo é bem menor, o que torna esta recuperação percentual de março ainda distante de colocar as bolsas nos patamares pré-crise. Mas já é alguma coisa. Falta o aval dos indicadores e do noticiário para confirmar uma tendência de recuperação, ou melhor, garantir que esta melhora das ações é sustentável.

Daí surge um fenômeno comum em alguns períodos das bolsas. Às vezes, o mercado adota um comportamento de manada e passa a olhar certos fenômenos apenas por uma ótica, atribuindo a certos indicadores pesos maiores do que deveria.

 

Não dá para culpar

Tom Sowanick, da Clearbrook Research, lembrou desta questão na véspera. As bolsas dispararam com o plano para ativos tóxicos de Geithner, não exclusivamente por ele, mas porque o mercado já esperava motivos para subir diante de bons indicadores antecedentes. “O plano do Tesouro pode virar o jogo pois é pulverizado por alguns dados econômicos melhores que o esperado”.

Mas em relação à confirmação de uma tendência de alta, este humor do investidor pode manipular um movimento, mas precisa ser alimentado. Ainda gera questionamentos, com uma disparidade de opiniões dos analistas. Richard Bernstein, do Bank of America, afirmou que o rali das ações de bancos era o momento ideal para se vender estes ativos. Como argumento, citou que o plano de Geithner não livraria aquelas instituições de perdas em seus resultados.

De outro lado, Barton Biggs, do Morgan Stanley, recomendou comprar ações norte-americanas e de mercados emergentes, afinal, “estamos no meio de um rali positivo”. Apesar de mais otimista, Biggs reconheceu que é prematuro falar em bull market.


Diferente da economia, bolsa precisa apenas alimentar expectativas para virada

Março 21, 2009

Por Roberto Altenhofen Pires Pereira, InfoMoney.

O fantasma de aprofundamento da crise agora dá lugar a uma perspectiva de recuperação, ao menos para quem acompanha o mercado. Perspectiva embasada ou mera torcida, o fato é que as economias sempre se recuperam dos períodos negativos, só não se sabe quando. Como os mercados antecipam os movimentos da economia, seu ótimo desempenho nos últimos dias sugere que o período mais grave da crise pode estar aos poucos se dissipando.

O sinal partiu lá de fora, dos bancos. A confiança demonstrada por instituições como Citigroup, Bank of America, JP Morgan e Barclays fez muito barulho no mercado, seja pela importância do setor financeiro, seja porque partiu dele o primeiro indício de problemas.

Quem tem maior contato com a economia real, com a situação do mercado de trabalho e da produção industrial, ainda não vê motivos para esta ligeira mudança de humor do mercado. No Brasil, a melhora do ânimo é refletida no comportamento da bolsa de uma semana para cá, mas passa longe do lado real.

 

O exemplo da indústria

Os bancos domésticos – sobretudo os maiores – parecem não ter sentido tanto os problemas importados, diferente da indústria. Esta ainda é dependente do fluxo de capital externo, das exportações; até por isto segue divulgando indicadores negativos, ainda que o Brasil seja uma economia com baixo grau de abertura. Os dados industriais do quarto trimestre são exemplo. Mas dados de vendas de automóveis no início do ano apontam que parte do problema foi superado.

Em relatório do Crédit Agricole, o economista Vladimir Caramaschi explica que o desastre da indústria em dezembro foi típico de um processo de acúmulo de estoques. Estas vendas do setor automotivo mostram que se pode esperar recuperação considerável da indústria, “pelo simples fim do ciclo de estoque”.

Por outro lado, Caramaschi alerta para não se superestimar este movimento. A indústria produtora de bens de capital dá claro sinal negativo. Em geral, este segmento trabalha por encomendas e não costuma apresentar ciclos de estoque. “A queda neste setor reflete o forte abalo na confiança das empresas e a piora nas condições de financiamento, o que está provocando o cancelamento e adiamento de projetos de investimento”, ressalta.

 

Recuperação já este ano?

O caso da indústria doméstica prova que uma recuperação concisa depende de muitos fatores, é difícil de se pontuar. Lá fora, o otimismo que ronda o início de ano do setor financeiro sustenta a mudança de humor. Um dos maiores especialistas em crises econômicas do mundo, o presidente do Federal Reserve Ben Bernanke já muda o tom de seu discurso.

“Acho que nos estabilizaremos, e veremos o final dessa recessão provavelmente neste ano. Veremos a recuperação começar no início do próximo ano”, afirmou em entrevista à rede de televisão CBS. Seu argumento todo gira em torno da confiança de melhoria da situação para os bancos. “A história ensina que você não consegue uma recuperação econômica sustentável enquanto o setor financeiro estiver em crise”.

 

Lado importante

À primeira impressão, um sinal isolado dos bancos dos Estados Unidos parece muito pouco para se acreditar em virada. De fato é, mas sua importância é inegável. De um jeito ou de outro, o setor financeiro apresenta forte correlação com o movimento de praticamente toda a economia, de todos os setores produtivos. Se houvesse de aparecer apenas um sinal, bom que seja dos bancos, que equilibram excedentes de recursos com necessidades de financiamento corporativo.

A demonstração de confiança destas instituições, até o momento, não passa de demonstração de confiança. Ainda assim, ganha força a cada dia, a cada instituição que se une ao coro iniciado pelo Citi. É certo que a crise em algum momento vai passar, mas deste breve sinal de melhora nos bancos até uma retomada sustentável da demanda, da produção, do mercado de trabalho, ainda há tempo.

 

Para o mercado basta

Esquecendo um pouco a economia real e lembrando que a bolsa trabalha nas expectativas, dá para entender este bom desempenho das ações recentemente. 

“Se, no meio do segundo trimestre desse ano, essa expectativa (ou esperança?) permanecer viva, é muito provável que os mercados acionários e moedas emergentes passem por uma vigorosa recuperação, mesmo se a economia real estiver passando seu pior momento”, afirma o estrategista-chefe do Crédit Agricole Brasil.

Para a economia real, alguns fatores básicos ainda precisam mostrar vigor além destes breves sinais de confiança. O fato é que o mercado irá antecipar qualquer movimento. Para ele, basta esta expectativa permanecer viva.


Financial bloggers influence on the rise and companies need to address it

Março 17, 2009

Postado no blog New Rules of Investing

For those reading these pages for some time now, you’ve noticed that I believe strongly in the rise of the financial blogosphere’s influence on investor decision making (see our New Rules of Investing), the power of long-tail content (blogs writing about stocks) and how investor relations is changing in its wake (see Dominic Jones’ IR Web Report for great coverage), and how compliance is struggling to keep up with new technologies (see Bruce Carton’s terrific work).  This next story seems to tie all these various facets of my focus together.

BusinessInsider has a great piece regarding a blogger’s analysis and how the company under his analysis is stepping up to the plate to address it.  Zero Hedge, a blog written under the pseudonym of Tyler Durden (Brad Pitt’s character in Fight Club), recently took aim at the National Rural Utilities Cooperative Finance Corporation in a blog post.  This more recent post was a follow-up to a the seminal piece published on the same blog entitled “Exclusive, In Search of the Next Big (Widening) Thing“.

Zero Hedge’s contention was that the NRUC’s CDS, the tools traders use to price risks of defaults in corporate bonds, were trading as if the company, a co-op basically with the role of “middleman between the capital markets and the U.S. government and cooperatives”, was implicitly backstopped (trader parlance meaning supported/backed) by the U.S. Government.  They’re not and don’t seem to have received the same level of scrutiny that TBTF (Too Big to Fail) financials like AIG and Citigroup are receiving.  This should mean that there should have been significantly more default risk inherent in NRUC’s bonds.  There wasn’t.

Until Zero Hedge came along.  After the publishing of Zero Hedge’s piece, NRUC’s CDS did go up, causing the firm to take note of the financial blogger and take him to task publicly.

Anyway, Zero Hedge’s allegations, alongside other research firms, were addressed in a formal press release put out by the firm:

BLOGGER STRIKES AT CFC, ELECTRIC CO-OPS

On March 8, an anonymous blogger who goes by the alias Tyler Durden (the same name as Brad Pitt’s psychopathic character in the movie “Fight Club”) wrote an unflattering opinion of CFC securities in his blog “Zero Hedge.” The blog, which circulated across the Internet, complained that CFC’s credit default swaps (CDS) were trading too tightly to U.S. Treasuries, a sign of strength.

Whether right or wrong in his analysis, the firm addresses his allegations and additional points Zero Hedge made in his post throughout the rest of the press release.  Read the whole press release.

Couple of important things to note in this article:

1. Financial bloggers impact security prices: Whether or not firms like it, financial bloggers (even those publishing under pseudonyms) can impact security prices.  In this case, it was bond/CDS prices, but it could certainly be stock prices (like some of went on last year regarding BIDZ at SeekingAlpha).  Like all analysts, some bloggers do more professional research than others.  The bar here is very low and like it or not, influential financial bloggers can affect security prices.

2. Companies need a strategy to address bloggers: Sending cease-and-desist letters doesn’t cut it as a strategy.  Once a firm recognizes that the playing field is changing, it’s time to accept and figure out how to address these new blogger-analysts.  The firm above addressed it head-on and publicly.  Other firms may decide to address and communicate with bloggers more proactively.  Regardless, to ignore this issue means that companies are ill-prepared to deal with crises, like the one we described above could have devolved into.

3. IR professionals have to get their heads in the game: Just targeting Fidelity doesn’t work anymore.  Fidelity frequently doesn’t want to hear your pitch and to put it bluntly, there are a lot of influential, smart, analyst-bloggers out there that can get their hands around your story better and leverage their networks to drive interest and dollars to your client.  Why go for all-or-nothing by only targeting the largest of buy-side firms?

4. We need a standardized set of compliance rules: Companies are slow to opt-in to this new paradigm partly because they don’t understand the ramifications. How does Ebay’s IR pro deal with tough questions on Twitter?  How do corporate CEO’s handle online Q&A’s, like OptionXpress previous CEO did with SeekingAlpha?  There is no doubt that the SEC sees the Internet as the financial communication medium of the future.  Beyond that, what’s permissible and what’s not is still not clear enough for any real adoption by numerous publicly-traded entities.

 

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What is a depression?

Março 13, 2009

Por Calculated Risk

It seems like the “D” word is everywhere. And that raises a question: what is a depression? Although there is no formal definition, most economists agree it is a prolonged slump with a 10% or more decline in real GDP.

Yesterday I heard an analyst say that a 10% unemployment rate is a depression. But the unemployment rate peaked at 10.8% in 1982, and that period is usually not considered a depression. 

Some people argue the duration of the economic slump defines a depression – and the current recession is already 15 months old. That is longer than the recessions of ‘90/’91 and ‘01. The ‘73-’75 recession lasted 16 months peak to trough, and the early ’80s recession (a double dip) was classified as a 6 month recession followed by a 16 month recession (22 months total). Those earlier periods weren’t “depressions”, so if duration is the key measure, the current recession still has a ways to go.

 

Here is a graph comparing the decline in real GDP for the current recession with other recessions since 1947. Depression is marked on the graph as -10%.

gdpdeclines

Q1 2009 is estimated at a -7.0% decline in real GDP (Seasonally adjusted annual rate). This will push the cumulative decline (peak to trough) to about 3.4%.

Even though the current recession is already one of the worst since 1947, it is only about 1/3 of the way to a depression (assuming a terrible Q1).

To reach a depression, the economy would have to decline at about a 6.6% annual rate each quarter for the next year.

 

The second graph compares the current recession (estimated through Q1 2009) with the more severe recessions of the last century.

gdpdeclines2

Note that the data is annual for the pre-1947 economic slumps.

The Great Depression saw real GDP decline 26.5%.

The post-WWII recession lasted 8 months and saw real GDP decline 13%. This decline in GDP was due to winding down the war effort – something that was celebrated – and is excluded when analysts call the current slump the “worst since the Great Depression”.

I still think a depression is very unlikely. More likely the economy will bottom later this year or at least the rate of economic decline will slow sharply. I also still believe that the eventual recovery will be very sluggish, and it will take some time to return to normal growth.

As I noted last weekend, business cycles have a typical pattern (see Business Cycle: Temporal Order). Housing and personal consumption usually lead the economy out of recession – and both of these areas will probably be slow to recover this time. 

The following table and text are an excerpt from the previous post. The table shows a simplified typical temporal order for emerging from a recession. 

picture-1

This business cycle there are reasons that housing will not be a significant engine of recovery. It is possible – see Looking for the Sun – that new home sales and housing starts will bottom in 2009, but any recovery in housing will probably be sluggish.

That leaves Personal Consumption Expenditures (PCE) – and as households increase their savings rate to repair their balance sheets, it seems unlikely that PCE will increase significantly any time soon. So even if the economy bottoms in the 2nd half of 2009, any recovery will probably be very sluggish.

At least we know what to watch: Residential Investment (RI) and PCE. The increasingly severe slump in CRE / non-residential investment in structures will be interesting, but that is a lagging indicator for the economy.

(1) In recent recessions, unemployment significantly lagged the end of the recession. That is very likely this time too.

 
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Você acha que vai ser milionário no futuro?

Março 13, 2009

Por Marcos Crivelato, blog Dinheiro Incrível

Ser milionário é possuir 1 milhão de reais para movimentar em investimentos. Nisso não conta a sua casa, a casa da praia ou o sitio de lazer.
Muito se fala sobre o 1o. milhão. Se algumas condições existirem na vida de uma pessoa é possível:
a) iniciar cedo essa longa jornada. Desde o 1o. emprego começar a poupar;
b) abrir mão de excessos de consumo;
c) atuar em uma profissão que permita economizar R$ 2.000,00/mês ao longo dos anos;
d) a família ajudar na renda familiar.
 
Abaixo um texto sobre o ranking dos bilionários (se você for dono de uma lucrativa empresa, quem sabe?)
 
A crise econômica mundial diminuiu o número de bilionários em todo o mundo e deixou os magnatas um pouco menos ricos, de acordo com a revista Forbes. A publicação listou 793 pessoas em sua lista de bilionários de 2009, 30% a menos do que em 2008. Esta é a primeira vez em que a lista diminui desde 2003.

A riqueza total líquida dos bilionários caiu 46% neste ano, para US$ 2,4 trilhões e a fortuna de um bilionário médio ficou em US$ 3 bilhões, 23% a menos do que em 2008. Apesar de ter perdido US$ 18 bilhões de sua riqueza em relação ao ano passado, o cofundador da Microsoft, Bill Gates, desbancou o megainvestidor Warren Buffet e retomou o título de homem mais rico do mundo, com uma fortuna avaliada em US$ 40 bilhões. Buffett ficou em segundo lugar, com US$ 37 bilhões. Ele perdeu US$ 25 bilhões de sua riqueza em comparação a 2008 após as ações de sua empresa, a Berkshire Hathaway, terem perdido aproximadamente um terço do valor. O mexicano Carlos Slim Helu, que em 2008 ocupava a segunda posição no ranking, caiu para o terceiro lugar, após ter perdido US$ 25 bilhões das riquezas de 2008.

O executivo-chefe da Oracle, Larry Ellison, é o número quatro. A lista de 2009 contém cidadãos de 52 países e de um principado. Os norte-americanos ocupam 10 das 20 primeiras colocações, em comparação a quatro no ano passado. O prefeito da cidade de Nova York, Michael Bloomberg, na 17ª posição, é o único dos 20 mais ricos do mundo que conseguiu aumentar sua fortuna. Bloomberg, que possui um salário de US$ 1 por ano como prefeito, foi beneficiado por uma reavaliação de sua companhia, Bloomberg LP. Ele também readquiriu uma participação de 20% em sua empresa do Merrill Lynch em julho por US$ 4,5 bilhões.

A lista trouxe 32 russos neste ano, quase dois terços a menos do que em 2008. Anil Ambani, dono da indiana Reliance Infrastructure e 34º da lista, perdeu mais dinheiro do que qualquer bilionário do ranking – US$ 32 bilhões. Na lista de 2008, a fortuna de Ambani havia registrado o maior crescimento de todos. O magnata indiano do aço, Lakshmi Mittal, número oito da lista, perdeu US$ 25,7 bilhões no ano passado. O ex-presidente do American International Group (AIG), Maurice “Hank” Greenberg, o ex-presidente do Citigroup, Sandy Weill, e o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, estavam entre as pessoas que figuraram na lista da Forbes no ano passado mas que ficaram de fora neste ano.

As informações são da Dow Jones.

 

Brasileiros

Eike Batista, 52 anos, está no seleto grupo de 44 bilionários que conseguiu ampliar sua fortuna ao longo de 2008, segundo a revista Forbes. A fortuna do brasileiro é agora estimada em US$ 7,5 bilhões, um aumento de US$ 900 milhões em relação ao ano anterior. Eike, o brasileiro mais rico, ocupa a 61ª colocação na lista dos mais ricos do mundo divulgada pela revista. Outros 12 brasileiros aparecem no ranking. Joseph Safra, 70 anos, vem logo a seguir de Eike, com a 62ª maior fortuna, US$ 7 bilhões. Jorge Paulo Lemann, com US$ 5,3 bilhões, é o 92º. Na 196ª colocação aparece Aloysio de Andrade Faria, com US$ 3,1 bilhões. Dorothea Steinbruck e família, com US$ 3 bilhões, estão em 205º lugar. Antonio Ermírio de Moraes e família, com fortuna de US$ 2,8 bilhões, ocupam a 224ª colocação. Marcel Herrmann Telles é o 285º mais rico do mundo, com US$ 2,4 bilhões. Moise Safra, com US$ 2,1 bilhões, é o 318º. Os brasileiros ainda são representados por Carlos Alberto Sicupira (318º lugar na lista), com fortuna de US$ 2,1 bilhões, e Abílio dos Santos Diniz (468º), com US$ 1,5 bilhão. Guilherme Peirão Leal, com US$ 1,2 bilhão, e Antonio Luiz Seabra, também com US$ 1,2 bilhão, estão empatados em 601º lugar. Julio Bozano, com US$ 1,1 bilhão, é o último brasileiro no ranking da Forbes, aparecendo na 647ª colocação.

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A situação ainda pode piorar

Março 11, 2009

Por Carlos Alberto Sardenberg

Nouriel Roubini está em São Paulo. Está neste momento fazendo uma apresentação em evento da companhia BTG – e fez jus a sua fama de sr. Apocalipse.

Disse que há uma severa recessão global que, se for atacada corretamente e a tempo, isto é, se os governos principalmente fizeram tudo certo e rapidamente, então haverá uma recuperação lá pelo ano que vem.

O problema, disse, é que os governos, no mundo todo, estão “atrás da curva” – ou seja, agindo ou parcialmente ou erradamente ou atrasados. Assim, a cada dia, disse Roubini, aumentam as chances de a situação piorar e a recessão se transformar numa longa depressão.


O próximo apagão financeiro

Março 11, 2009

Por Paulo Rabello de Castro.

Os “spreads” nos mercados dão indicação de um próximo choque financeiro, de proporções semelhantes ao abalo sofrido após a quebra do Lehman Brothers. Se o novo apagão acontecer, será um duro golpe nas previsões dos chamados “otimistas de vento”, que insistem em projetar uma recuperação em “V” da economia americana. Os números mais recentes do desemprego nos EUA – mais 650 mil dispensados apenas em fevereiro – tornam fantasiosas as expectativas de uma reversão rápida do quadro geral de piora.

As autoridades americanas tentam, agora, abortar os efeitos aparentes da crise. O julgamento dos primeiros 60 dias de Obama é duro por dois motivos principais: o tamanho do problema e a natureza do abalo com que estão lidando. A equipe do novo presidente herdou um colossal erro de diagnóstico de Paulson, o ex-secretário do Tesouro de Bush, e de Ben Bernanke, chefe do Fed. Ao considerar o problema dos bancos como essencialmente uma “crise dos créditos sub-prime”, o verdadeiro problema de solvência, advindo de classes múltiplas de ativos problemáticos, foi solenemente ignorado. Nisso o Fed perdeu parte da credibilidade, quando seus ativos e passivos saltaram em 100% durante 2008, para cerca de U$$ 2 trilhões, em sucessivos socorros bilionários a bancos e não-bancos.

O novo plano do secretário do Tesouro, o novato Tim Geithner, conseguiu uma proeza a mais: provou aos mercados que o tamanho do problema era, de fato, de vários trilhões de dólares, e que o governo Obama não tinha idéia clara de como lidar com a avalanche por acontecer! Isso foi um mês atrás. Desde então, a confiança dos investidores, que já era quase zero, embicou de vez, jogando fumaça sobre o anúncio do outro plano de Obama, seu pacote de “estímulos” de U$$ 878 bilhões,
com o qual o novo presidente pretende sustar a onda de desempregos. Senadores republicanos falam hoje em “deixar os grandes bancos quebrarem” para proteger os contribuintes de ruinosas e aparentemente inúteis operações de socorro.

Infelizmente, o tremor financeiro mundial aconteceu em ambiente de negação. O governo Bush pedalou sua saída de cena, deixando a Obama a batata fumegante. A questão crucial, neste momento, não é só o tamanho do problema, senão também a natureza do abalo. A sincronização planetária da crise gera ondas de impacto através das retrações sucessivas da demanda mundial por exportações. Nunca houve, em período que se tenha notícia, tal eliminação conjugada de gastos de consumo e investimento. Essa característica é totalmente nova, contrariando os otimistas de vento que viam China e demais BRICs, inclusive nós, como os sustentadores da demanda cadente no âmbito do G7. Como não há fórmula keynesiana para os EUA se livrarem da retração geral, os governos vão gastar o dobro ou o triplo para conseguir metade do efeito esperado. Todos se voltam para o encontro do G20, dia 2 de abril em Londres, mas ainda não se sabe de uma única idéia para se por em prática no dia seguinte, ajudando a recompor a confiança.

Por isso, a economia mundial continuará convivendo com números muito desalentadores. O Brasil, bem defendido inicialmente, não escapará de uma deterioração lenta e progressiva, importada dos demais. Chega a ser chocante, neste cenário de perigos, a absoluta alienação dos políticos em Brasília, que se esgrimam por vagas em arranjos de supostas candidaturas a 2010, numa economia tão prejudicada em sua trajetória de crescimento nos dois anos finais de Lula. Talvez apenas o abalo sísmico, um apagão geral, possa fazer os líderes da pátria amada despertarem de sua própria escuridão.


Um “new deal” mundial

Dezembro 1, 2008

Por Jaime Lerner para o Terra Magazine.

5,6 trilhões de dólares é o total de recursos já empenhados pelo governo dos Estados Unidos em medidas que têm como objetivo superar a crise financeira.

O mundo assiste aos anúncios sucessivos de socorro financeiro por parte dos governos, a bancos, montadoras, agências de crédito, real state. A explicação tem sido a necessidade premente da garantia de empregos.

Isto é, vamos continuar jogando recursos num sistema financeiro que não soube se controlar, atingindo o caos da irresponsabilidade.

Alguns economistas acham que a saída seria aumentar gastos públicos, desde que não seja de forma permanente.

A ironia é que tempos atrás, o setor privado é que cobrava dos governos a responsabilidade fiscal, conseguida em parte a custa de cortes de investimentos sociais, adiando avanços de qualidade de vida tão necessários.

O grave nisso é que essas injeções de recursos ocorrem de maneira abstrata, sem gente. Claro que o objetivo é a garantia de empregos, mas esses empregos não significam que as pessoas sejam beneficiadas.

Se o argumento básico é a manutenção de empregos, que tal uma injeção de qualidade de vida. Não se pode esquecer que investimentos em qualidade de vida geram mais empregos.

Vamos direcionar a agulha da injeção para um novo paradigma. Melhorar a oferta de habitação, transporte coletivo e saneamento em todos os países. Já imaginaram toda essa dinheirama redirigida para gente?

5,6 trilhões de dólares (só os Estados Unidos) mais o que os demais países estão bancando dariam para melhorar as condições para a África sair da miséria. Basta direcionar os recursos para habitação, saúde, educação, transporte público e saneamento. As palavras crédito e infra-estrutura são muito genéricas para que se assegure que realmente os recursos financiarão as necessidades de casa, água e esgoto, transporte público. E olhe que parte desses recursos tem retorno. Não é o crédito (para os bancos), é a qualidade de vida para gente. Esses recursos devem ser carimbados para as pessoas. O dólar com cara de multidão, de gente, oportunidade de um ‘new deal’ mundial.

O grande desastre sempre foi a separação das atividades econômicas dos assentamentos humanos. Tratar a economia separada das pessoas. E os experts explicando a tragédia, ou prevendo o quanto ela vai nos atingir.

Se projetarmos a tragédia, vamos encontrar a tragédia. É essa a tendência dessa ciência post-facto que não acerta nunca porque joga contra as pessoas. Sempre com a chave na mão, sem encontrar a fechadura.

 

Jaime Lerner, arquiteto e urbanista, foi três vezes prefeito de Curitiba e duas vezes governador do Paraná. É consultor de urbanismo da ONU e presidiu a União Internacional de Arquitetos (UIA), sediada em Paris.


Redundância Volátil

Dezembro 1, 2008

Por Sandor Tucakov Caetano, no blog Giuoco Piano Trading.

Semana passada foi uma semana interessante para o investidor Brasileiro que conseguiu ver uma forte recuperação do mercado. O que acontece é que o mercado continua bem mais volátil do que estávamos acostumados a ver nos últimos 7 anos e esta alta volatilidade tem persistido por um tempo já. A implicação disto ocorre diretamente nos modelos de controle de risco que deveríamos adotar para controlar nossas posições no mercado.

Pensando em um sistema mecânico de investimentos teríamos alguns possíveis cenários a serem contemplados com essa volatilidade. Um deles seria o de que o número de “whipsaws” (movimento de uma ação em uma direção – geralmente adversa a nossa posição – e depois sua rápida recuperação) para aqueles que trabalham com stops mais apertados. Além disso, estes investidores também testemunharam uma série de movimentos adversos na forma de “slippage” (Diferença entre o preço do stop e o preço executado na operação) pois tem sido comum observarmos aberturas maiores que 2%, então, em um dia em que os ativos abrem com uma diferença de uns -5% em relação a abertura alguém que tinha seus stops a -2% ou é executado imediatamente (perdendo 5% ao invés de 2%) ou fica com uma ordem morta em um preço que o ativo não mais irá negociar no curto prazo.

Outro cenário seria o daqueles que trabalham com o tamanho de suas operações baseado na volatilidade, então quanto mais volátil o mercado menos se arrisca e vice versa. Este tipo de modelo pode simplesmente invalidar algumas operações que teriam que ser bem pequenas para comportar tamanho aumento na volatilidade tornando-as caras do ponto de vista de custos – um investidor que possuía um modelo que o mandava investir 10.000 com volatilidade moderada iria investir somente 5.000, e o peso dos custos de transação em cima de 5.000 é bem maior o que tira um pouco o viés do investidor.

 

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Será que estão baratas ou estão caras?

Novembro 25, 2008

Por Eric Martin e Michael Tsang, Postado no blog Lucrando na Bolsa.

A compra das ações mais baratas já comercializadas nos EUA desde a Presidência de Ronald Reagan (1981-1989) pode ser uma aposta incauta. Os investidores estão pagando US$ 9,24 por dólar previsto de lucro operacional no próximo ano por papéis de empresas constantes do Índice Standard & Poor”s 500, metade da mediana de duas décadas de US$ 18,10, segundo dados reunidos pela Bloomberg. Embora isso possa sugerir que as ações vão recuperar-se de sua pior queda desde 1931, os diretores da Key Private Bank, do Morgan Keegan e do Hartford dizem que as ações deverão continuar caindo, uma vez que os lucros estão abaixo das estimativas de Wall Street de 14% de crescimento no ano que vem.

Empresas que vão desde a New York Times Co. até a Tesoro Corp. podem revelar-se caras com base nos lucros do ano que vem, depois que seus resultados ficaram aquém dos prognósticos em mais de 20% em 2008. Os lucros das empresas monitoradas pelo S&P 500 caíram por cinco trimestres seguidos, seu maior período de retração consecutiva desde a recessão de 2001, quando as ações americanas caíram por sete outros meses depois que os lucros alcançaram seu ponto mais baixo, segundo dados reunidos pela Bloomberg. O mesmo comportamento, caso se repita, deixará as ações americanas atoladas em uma retração por mais um ano.

“Os mercados tendem a sair de um movimento de liquidação maciça muito mais devagar que o previsto”, disse Bruce McCain, estrategista-chefe de investimentos do Key Private Bank “Os lucros vão mostrar as mesmas tensões. As pessoas têm de se resguardar, para não pegar a batata quente.”

 

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A Fazenda e o malabarismo com as contas

Novembro 25, 2008

Por Carlos Alberto Sardenberg

O Ministério da Fazenda sustenta que está fazendo um ajuste fiscal pois as despesas de custeio, pessoal e previdência estão crescendo abaixo da expansão das receitas e do Produto Interno Bruto (PIB) nominal. É o que diz hoje, por exemplo, o secretário do Tesouro, Arno Augustin.

É verdade que as despesas seguem atrás, mas isso não é ajuste.

Ocorre que a inflação, que ficou alta neste ano, afeta diretamente a arrecadação de impostos, feita sobre preços nominais, e impacta imediatamente a apuração do PIB. Ou seja, é como se receita e PIB fossem indexados à inflação, mensalmente.

A despesa não é. Os gastos dependem do que está previsto no orçamento e não são corrigidos todo mês pela inflação decorrida.

Assim, quando a economia cresce mais forte que o previsto e quando a inflação também avança mais que a previsão, como ocorreu, a receita e o PIB vão necessariamente mais depressa que a despesa.

Mas o movimento inverso também ocorre. Quando a economia desacelera e a inflação cede, receita e PIB nominal caem, mas não as despesas, ou a maior parte das despesas.

Tome-se o caso dos gastos com pessoal. No acumulado janeiro a outubro de 2008, os gastos com pessoal cresceram 10,1% sobre o mesmo período do ano passado. A arrecadação total aumentou 18% e o PIB nominal, 12,7%.

Arrecadação e PIB podem desacelerar, mas os gastos de pessoal não caem. E o governo já acertou e contratou diversos reajustes para os próximos anos.

Em resumo, as contas públicas estão sendo beneficiadas por um período excepcional de crescimento com inflação.

Outro malabarismo. A Fazenda diz que o crescimento dos investimentos foi de 74% (no caso do Projeto Piloto de Investimentos, obras públicas) e de 41% quando se contabilizam todos os investimentos, incluindo setores de saúde e educação. Faz uma boa impressão, mas é que se parte de valor muito baixo.

Até outubro, por exemplo, o gasto total com investimentos foi de R$ 20 bilhões. Os outros três itens de despesas: previdência, R$ 160 bilhões, pessoal, R$ 102 bilhões; e custeio, R$ 106 bilhões.


Então, você ainda espera que a China salve o mondo?

Novembro 18, 2008

Por Samuel Ramos, Clube Vienna Blog.

 Sim, eu sei que os dados trimestrais do Partidão Chinês dizem que a economia deles cresceu 9% nos últimos 12 meses, número um pouco menor que os 10,4% anunciados ao fim do primeiro semestre.

Também sei que muitos analistas contam com eles para salvar o mondo da recessão, sobretudo aqui no Braziu, importante fornecedor de matérias-primas utilizadas na produção manufatureira da China.

Porém, é preciso ter em mente o conceito estabelecido por Benjamin Disraeli quando avaliamos os números divulgados pelo Partidão: “existem mentiras, mentiras malditas e estatísticas”.

Dois indicadores, por exemplo, parecem dizer muito mais que os números oficiais: são eles o BDI (Baltic Dry Index, vide glossário) e os dados recentes sobre a geração de energia elétrica naquele país:

 

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Baltic Dry Index:

      Compre um sorvete, ganhe um frete transoceânico

 

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Geração de energia elétrica (electricity output) na China:

Maior queda em uma década

 

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A hora de comprar ações é…

Novembro 18, 2008

Postado no Blog da Mara Luquet, CBN.

“… não sei, não dá para saber, porque hoje tenho uma opinião, mas amanhã terei outra, pois a situação é muito difícil”.

Dório Ferman – Opportunity

Ferman diz que não está comprando ações, mas está comprado. Para ele, não existe hora de comprar ações, o que existe é prazo. Segundo Ferman, é tola a idéia de que é possível achar o fundo do poço. 

 

“…quando o preço do petróleo chegar a US$ 25”.

Marcelo Ribeiro – Pentágono Asset

Segundo ele, haverá uma deflação global porque há um excesso de capacidade de produção, principalmente em commodities e os preços começam a cair. Até 2001 a média de longo prazo do preço do petróleo era de US$ 25. Depois essa média aumentou para US$ 75 por conta do ciclo de alta no preço das commodities. Ribeiro diz que só anima a comprar ações quando o preço do petróleo voltar para a média histórica de US$ 25 porque a bolsa brasileira está altamente correlacionada com o petróleo.

 

“…caso a caso, escolhendo empresas que tenham valor, mas que foram massacradas por esse processo de desalavancagem que está destruindo valor de tudo de forma generalizada”.

Marcelo Karvelis – Cláritas Asset Management

Karvelis diz que o fato de estar barato não significa que possa ficar mais barato, pois o fluxo de venda de ações está longe de acabar. O resultado das empresas deverá continuar vindo ruim. Portanto, as incertezas são muitos e as certezas são poucas e ruins. A que preço chega o petróleo? “Não sei”, ele diz. Mas sei que já existe uma desaceleração econômica mundial já contratada, por exemplo. No entanto, há empresas com geração de caixa consolidada, sem dívidas, que chegaram a um preço muito baixo.

 

“…sempre e nunca”.

Saul Sabbá – Máxima Asset Management 

Sabbá diz que a hora é de comprar é sempre, mas seletivamente porque ele já observa empresas que não tem problemas e estão num mercado inelástico, ou seja o consumo pode cair um pouco, mas as pessoas vão continuar usando. Essas empresas estão a um preço que já compensa. Segundo ele, o investidor tem que comprar tempo, empresas com sustentabilidade no longo prazo porque chega a um patamar de preço que só o retorno com dividendos já é enorme. Nunca comprar qualquer coisa a qualquer preço.

Acesse o Blog da Mara Luquet


É prudente trocar o piloto na hora da turbulência?

Novembro 5, 2008

Tem razão de ser o comentário. Você vai no banco, contrata um fundo de investimento qualquer para que um especialista administre seu dinheiro. Claro que você pesquisou, leu o prospecto, falou com seu gerente do banco (talvez até tenha lido o regulamento do fundo, aquele contratinho cheio de letrinhas miúdas). Aí, de repente, chega o extrato na sua casa com rendimento negativo…

Pior ainda: o banco recebe a taxa de administração, independente da rentabilidade da cota.

Sempre evitei fundos de bancos. Porque não dá para saber que tipos de papéis compõe a carteira. E se for para ter somente títulos federais, é melhor ir direto para o Tesouro Direto.

Recentemente, estive em uma reunião em que o tema reinante era a crise econômica. Estavam presentes pessoas bem informadas e com recursos aplicados em fundos de investimentos de todas as classes (ações, multimercado, long short etc). Ao longo da conversa, observei que se iniciou uma corrente de repulsa aos serviços prestados pela indústria de gestão de recursos. Sem qualquer segregação ou juízo de valor, a atitude comum era de que os gestores eram incapazes de oferecer serviços de qualidade em situações de crise. “Para perder dinheiro, eu perco sozinho!” era a frase recorrente.

Ocorreu-me, então, uma imagem: um vôo internacional com os passageiros desfrutando da champanha primeira classe. Todos confiam no piloto. Sequer imaginam se foi colocado combustível suficiente ou se foram tomadas medidas de segurança. Não sabem, ao certo, que riscos corriam e desfrutam dos prazeres da viagem. Enquanto tudo ia bem, o piloto é congratulado. Diante de uma grande turbulência, o avião treme e começa a descer. Alguém a bordo recomendaria trocar o piloto por um dos passageiros?

 

Postado no blog Lucrando na Bolsa.


Oficial: pânico inflacionário acabou

Novembro 4, 2008

Não é novidade que os bancos centrais mudam de idéia mais do que as profissionais do prazer de parceiros.

Em 2005, por exemplo, o ex-presidente do FED, Allan Greenspan, dizia, junto com o atual presidente, Bernanke, que não havia bolha imobiliária e que uma severa contração dos preços era ‘pouco provável’. Pois de uns tempos para cá o velho Greenscam não cansa de conceder entrevistas para dizer que a crise imobiliária é grave e imprecedente.

Com a disparada no primeiro semestre dos preços de diversas commodities, o que mais se ouviu entre os bancos centrais foi o pânico do “aimeudeus inflacionário”.

No caso do Federal Reserve, a tendência de corte de juros que havia sido estabelecida no ano passado teve uma pausa em meses recentes, e nesse meio-tempo se cogitou, inclusive, aumentos na taxa de juros definida pelo Fomc.

Claro que tudo não passou de um blefe. A tendência de corte acabou de ser retomada há poucos dias e caminha a firmes passos para um episódio de ZIRP (Zero Interest Rate Policy, ou juro de 0% ao ano).

Essa situação era tão previsível que em janeiro escrevi o seguinte:

(…) para 2008, em se confirmando a desaceleração na economia americana, coisa que já está acontecendo, e com a economia global também diminuindo seu ritmo, o que deverá acontecer, a tal “inflação” também irá responder com os preços recuando.

(…) Nesse cenário, a inflação em 2008 é a menor das preocupações, a não ser para aqueles que não entenderam ainda com que tipo de crise estamos lidando.

 

Postado no blog CincoPesosDeDoisQuilos


Mercados, da lógica ao medo

Outubro 25, 2008

Por Carlos Alberto Sardenberg, CBN.

A questão agora é a seguinte: supondo uma recessão mundial, com queda de investimento e consumo, o faturamento e o lucro das empresas vão cair.

Logo, o valor de suas ações será necessariamente menor. Assim, é lógico que as bolsas devem cair. Essa é uma típica explicação de economista: conta uma história correta, mas que não serve para nada. O que todo mundo
quer saber é qual o valor das ações em um ambiente de recessão mundial.

Ou, qual o ponto em que as bolsas mundiais se estabilizarão por já estarem adequadas ao tamanho da recessão? E não se pode responder porque não é possível definir as variáveis principais: o tamanho e a duração da recessão, os países que serão mais sacrificados e os setores que cairão mais.

Assim, o movimento nos mercados segue na base das emoções elaboradas em cima de dados e algum raciocínio. Dados sobre a economia real – faturamento e lucro das empresas e corte de empregos – e a lógica que leva à recessão e, pois, à queda dos mercados.

Aí vem o medo: vender antes que o mundo acabe. Mas também, em diversos momentos, aparece a cobiça: ações a preço de banana?


Buy American. I Am.

Outubro 25, 2008

Por WARREN E. BUFFETT, no NYTimes.com

THE financial world is a mess, both in the United States and abroad. Its problems, moreover, have been leaking into the general economy, and the leaks are now turning into a gusher. In the near term, unemployment will rise, business activity will falter and headlines will continue to be scary.

So … I’ve been buying American stocks. This is my personal account I’m talking about, in which I previously owned nothing but United States government bonds. (This description leaves aside my Berkshire Hathaway holdings, which are all committed to philanthropy.) If prices keep looking attractive, my non-Berkshire net worth will soon be 100 percent in United States equities.

 

Why?

A simple rule dictates my buying: Be fearful when others are greedy, and be greedy when others are fearful. And most certainly, fear is now widespread, gripping even seasoned investors. To be sure, investors are right to be wary of highly leveraged entities or businesses in weak competitive positions. But fears regarding the long-term prosperity of the nation’s many sound companies make no sense. These businesses will indeed suffer earnings hiccups, as they always have. But most major companies will be setting new profit records 5, 10 and 20 years from now.

Let me be clear on one point: I can’t predict the short-term movements of the stock market. I haven’t the faintest idea as to whether stocks will be higher or lower a month — or a year — from now. What is likely, however, is that the market will move higher, perhaps substantially so, well before either sentiment or the economy turns up. So if you wait for the robins, spring will be over.

A little history here: During the Depression, the Dow hit its low, 41, on July 8, 1932. Economic conditions, though, kept deteriorating until Franklin D. Roosevelt took office in March 1933. By that time, the market had already advanced 30 percent. Or think back to the early days of World War II, when things were going badly for the United States in Europe and the Pacific. The market hit bottom in April 1942, well before Allied fortunes turned. Again, in the early 1980s, the time to buy stocks was when inflation raged and the economy was in the tank. In short, bad news is an investor’s best friend. It lets you buy a slice of America’s future at a marked-down price.

Over the long term, the stock market news will be good. In the 20th century, the United States endured two world wars and other traumatic and expensive military conflicts; the Depression; a dozen or so recessions and financial panics; oil shocks; a flu epidemic; and the resignation of a disgraced president. Yet the Dow rose from 66 to 11,497.

You might think it would have been impossible for an investor to lose money during a century marked by such an extraordinary gain. But some investors did. The hapless ones bought stocks only when they felt comfort in doing so and then proceeded to sell when the headlines made them queasy.

Today people who hold cash equivalents feel comfortable. They shouldn’t. They have opted for a terrible long-term asset, one that pays virtually nothing and is certain to depreciate in value. Indeed, the policies that government will follow in its efforts to alleviate the current crisis will probably prove inflationary and therefore accelerate declines in the real value of cash accounts.

Equities will almost certainly outperform cash over the next decade, probably by a substantial degree. Those investors who cling now to cash are betting they can efficiently time their move away from it later. In waiting for the comfort of good news, they are ignoring Wayne Gretzky’s advice: “I skate to where the puck is going to be, not to where it has been.”

I don’t like to opine on the stock market, and again I emphasize that I have no idea what the market will do in the short term. Nevertheless, I’ll follow the lead of a restaurant that opened in an empty bank building and then advertised: “Put your mouth where your money was.” Today my money and my mouth both say equities.

Warren E. Buffett is the chief executive of Berkshire Hathaway, a diversified holding company.


One Day Doesn’t Make a Trend

Outubro 25, 2008

Por ANDREW ROSS SORKIN, NYTimes.com

The banks aren’t lending. And despite what you have heard, they probably won’t start just yet.

The stock market may be way up on expectations of a credit thaw on Wall Street — and there has already been a minor one — but don’t hold your breath on Main Street. The dirty little secret of the government’s $250 billion handout to nine banks to get them lending again is this: So far, they have stuffed it under their mattress like the rest of us.

Need a mortgage? An auto loan? If you are a business or consumer, it’s almost as hard to get a loan this week as it was last.

Sure, there are some positive signs that the credit market is opening up a bit: Libor rates, the price at which banks lend to each other, have crept down in recent days, greasing the wheels of capitalism, or at least what’s left of it. Some banks, like JPMorgan Chase and Citigroup, actually made loans to banks in Europe on Friday. These are all important steps on the way to a recovery.

But make no mistake, the banks are doing the opposite of what Henry M. Paulson Jr., the Treasury secretary, sought when he virtually demanded that they accept the taxpayers’ money: They are hoarding it. It’s a bit like the government’s sending out tax rebate checks and the consumers’ not immediately running out and spending them.

“Our purpose is to increase confidence in our banks and increase the confidence of our banks, so that they will deploy, not hoard, their capital,” Mr. Paulson said in a statement Monday. “And we expect them to do so, as increased confidence will lead to increased lending. This increased lending will benefit the U.S. economy and the American people.”

Of course, with a $250 billion injection into America’s biggest banks — not all of which were troubled — Mr. Paulson has a political sales job to do. And no requirements to lend were attached to the money. (Some banks may use the money to buy others.)

But Mr. Paulson is making a big assumption about confidence, because until the real economy recovers — which could take more than a year — lending to Main Street is unlikely to return rapidly to normal levels.

“It doesn’t matter how much Hank Paulson gives us,” said an influential senior official at a big bank that received money from the government, “no one is going to lend a nickel until the economy turns.” The official added: “Who are we going to lend money to?” before repeating an old saw about banking: “Only people who don’t need it.”

Indeed, if there’s a reason the stock market went up Monday, it was because Fed chairman Ben Bernanke told Congress he was in favor of a second economic stimulus plan, a tacit acknowledgment that recent efforts to repair the financial system won’t be enough to dig the economy out of its rut.

Think about it: troubled companies are still troubled companies. And while banks often stupidly throw money at questionable companies in good times, they shut off the spigot in bad times.

On top of all that, the banks may still be in more trouble than they have disclosed. Indeed, the reason many may be holding onto the government’s cash is because they expect things to get worse not just for the economy, but for themselves.

Roger Bootle and Jonathan Loynes of Capital Economics in London wrote a sobering note on Monday about the cash infusions into European banks that may apply here as well. “We expect rising loan defaults and further asset write-offs over the next couple of years to practically wipe out the governments’ capital injections, leaving banks back at square one,” they said. “Given that banks will need to increase their capital in order to expand their lending book, these measures on their own are unlikely to prevent bank lending from stagnating.”

What else can government do? One of the last arrows in its quiver is the controversial idea of reducing the amount of capital banks must hold. That might make the banks more comfortable to lend, but it would put banks on an even less stable footing, and undermines the overall idea of injecting capital into banks in the first place.

That is not to say that Mr. Paulson’s $250 billion package won’t be helpful to the economy. It is a smart plan to help to encourage bank lending, which may prevent the economy from spiraling downward even more into a prolonged depression. And it should keep some more banks from going bust, which would have only added fuel to what seemed like an out-of-control fire. But it is not a silver bullet.

And the bailout also may be concealing another problem: Because the government gave money to both healthy and unhealthy banks, that may make it harder to tell which ones are in more trouble than the others. That’s why banks have been so wary of lending to other banks. Although a key gauge of this psychology, the Libor rate, has improved since governments moved to repair the financial system, some banks are still worried they can’t trust their counterparts to pay the loan back.

Ken Lewis, the chief executive of Bank of America, in an appearance on “60 Minutes” on Sunday night, said in perhaps one of the most revealing comments of the credit crisis that the reason strong banks like his got $25 billion apiece was to help conceal the weakness of those that have fallen into dire straits.

“If you have a bank in that group that really, really needed the capital, you don’t want to expose that bank,” Mr. Lewis said.

Still, Mr. Lewis says he’s bullish that things will eventually turn around, though he thinks we won’t see a bottom until at least the first half of next year. And he suggested that banks won’t keep money under the mattress forever. “You can make more money lending,” he said.

At least to people who don’t need it.


A volta dos que não foram

Outubro 15, 2008

Por Waldir Kiel, InfoMoney.

Enquanto o mundo tenta avaliar os desdobramentos da crise financeira originada nos Estados Unidos da América, partiu do primeiro ministro britânico, Gordon Brown, a medida mais efetiva e objetiva no sentido de dar uma solução mais rápida para controlar o furacão financeiro que paralisou o mercado de crédito bancário londrino. A nacionalização de bancos.

As medidas envolveram três dos maiores bancos: o Estado está assumindo o controle de 60% das ações do RBS, e de 43,5% do capital dos outros dois (o HBOS e o Lloyds TSB) – em fusão provocada pela compra do primeiro pelo segundo, com apoio do governo. Além disso, o pacote trouxe medidas de “saneamento interno”: troca de diretores em postos-chave. Avalia-se que o pacote de intervenção pode chegar a £ 500 bilhões (€ 650 bilhões ou R$ 1,95 trilhão).

Essas medidas provocaram reações imediatas e contundentes em todos os países atingidos mais intensamente pela crise. 

As medidas britânicas fizeram com que os Estados Unidos aplicassem medidas semelhantes. Autoridades norte-americanas anunciaram na terça-feira (14) que vão utilizar imediatamente até US$ 250 bilhões do pacote de US$ 700 bilhões aprovado recentemente pelo Congresso para adquirir participação em nove grandes instituições financeiras, numa tentativa de dar novo fôlego ao setor bancário e combater a crise de restrição ao crédito.

O valor equivale à primeira parcela do plano aprovado pelo Congresso. O secretário do Tesouro, Henry Paulson, vai pedir imediatamente aos legisladores a próxima parcela de US$ 100 bilhões, de acordo com fontes citadas pelo jornal Washington Post. Em carta à presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, Bush afirmou que será necessário comprar ativos problemáticos até o limite de US$ 350 bilhões. 

A decisão britânica também repercutiu na outra parte da Europa. França, Alemanha, Áustria e Espanha também anunciaram um pacote de apoio ao sistema bancário que deve chegar inicialmente próximo ao trilhão de euros. Medidas semelhantes devem ser aplicadas em breve por outros países. 

No Brasil a surpresa com as perdas de empresas exportadoras no mercado de derivativos cambiais fez com que o Banco Central apressasse medidas que objetiva dar maior liquidez ao mercado de crédito bancário. Liberação maciça dos depósitos compulsórios, obrigatoriedade de aplicação de um montante de R$ 5,5 bilhões para a agricultura, além de retomar a venda da moeda norte-americana no mercado. 

 

Vale ressaltar alguns dados da economia brasileira que se tornam relevantes:

• Enquanto os bancos norte-americanos estão alavancados no crédito de 20 a 25 vezes o patrimônio, os bancos brasileiros estão entre 4 a 5 vezes. 

• A atuação dos bancos de investimentos por aqui é praticamente irrelevante. 

• Os créditos diretos ao consumidor no Brasil não chegam a 38% do PIB. Nos EUA estão na casa de 160% do PIB.

• Brasil não tem mais dívida externa, e possui reservas acima de U$ 200 bilhões. 

• Menos de 10% do crédito bancário é levantado no exterior. 

• Importações representam apenas 9% do PIB e exportações algo próximo de 12 %.

• Dados divulgados de vendas no varejo mostram crescimento vigoroso. 

• Intenção de compras no varejo, segundo o Instituto Provar, mostra um índice de 73,8%, o maior em nove anos. 

 

“De fato, até agora, a crise não atingiu os consumidores. As perspectivas ainda são positivas”, afirmou o coordenador do Provar, Claudio Felisoni. Citando dados até agosto do Banco Central, ele destacou que a confiança permanece em função dos prazos médios de crédito direto ao consumidor ainda se mostrarem adequados para os compradores. 

Por que então alguns órgãos de imprensa e outros tantos economistas insistem no terror de que estamos sofrendo efeitos imediatos da crise dos países desenvolvidos? 

É gente aproveitando o show do terror para remarcar preços sem nada que justifique, tanto pelo lado da demanda quanto pela cotação do dólar. Esses a concorrência tratará de expurgar. 

O fato mais marcante deste terror é a sugestão que o brasileiro não conseguirá pagar a prestação dos automóveis e que isso irá provocar o subprime brasileiro! 

Para contrariar mais uma vez a previsão da grande maioria dos analistas, os mercados e a economia real irão retomar o vigor mais rápido do que eles prevêem. 

Pudor, decência e economia de mercado foram abandonados para que os bancos centrais pudessem agir para evitar o chamado risco sistêmico financeiro e suas graves conseqüências no lado real da economia. Os instrumentos e intervenções de toda ordem estão sendo usados em nome da salvação, então tudo será feito, o possível e o impossível. Liberam trilhões de dólares, estatizam os bancos, vão fazer tudo para preservar o poder do capital, quem sabe criar até os seus BNDES e suas respectivas TJLPs. 

Os bancos dos países desenvolvidos, agora estatais, a exemplo de China e Brasil, deverão ser os grandes fomentadores do crédito para a indústria, comércio e agricultura. 

Mais uma vez o consenso das análises, que por motivações óbvias de interesses particulares e de volatilidade semelhante a dos mercados, irá errar. 

Essa grande maioria que altera previsões na mesma velocidade e volatilidade do preço dos ativos de mercado lembra birutas de aeroportos: apontam para o lado que os ventos sopram. 

O Brasil, ancorado por seu mercado interno, sairá desta crise global com uma posição privilegiada. 

Assim está mais que na hora do investidor que se ancorou na renda fixa migrar aos poucos – parte de seus investimentos – para a renda variável. Mesmo com as taxas de juros pré-fixadas tão altas. 

Se os arautos do apocalipse de hoje não foram capazes de ontem prever a derrocada do capital financeiro, como podem se arvorar a previsões pessimistas do futuro global? 

 

Há 35 anos no mercado financeiro, Waldir Kiel Junior é economista e escreve mensalmente na InfoMoney, às quartas-feiras. Para entrar em contato: waldir.kiel@infomoney.com.br


Ecos da Grande Depressão

Outubro 14, 2008

Sugestão de leitura – Blog CincoPesosDeDoisQuilos


A pior semana dos últimos anos

Outubro 10, 2008

Por Alvaro Gribel e Leonardo Zanelli, Miriam Leitão.Com.

A semana que terminou conseguiu ser ainda pior do que as últimas. A volatilidade foi tão grande que na maioria dos indicadores chega a dois dígitos.

O Ibovespa caiu 20%, saindo de 44.517 pontos para 35.609. Esta é a sexta pior semana da Bovespa desde 1986, e ela não terminava tão ruim assim desde outubro de 1997. Para se ter uma idéia do tamanho do tombo dos últimos dias, o valor de mercado das ações da Bovespa caíram R$ 406,7 bilhões desde o início do mês. A Petrobras foi a empresa que mais perdeu valor de mercado, R$ 98,7 bilhões, segundo dados da Economática.

A Vale aparece na segunda posição de perdas, com R$ 43,3 bilhões, seguida pela Bradesco, R$ 23,9 bilhões, Itaú, R$ 23,59 bilhões, e Banco do Brasil, R$ 21,6 bilhões.

Nos EUA, o índice Dow Jones despencou 23% do fechamento de sexta-feira para hoje, caindo de um patamar de 10.325 pontos para 8.451 pontos. E hoje chegou a operar na casa dos 7 mil. Só nesta semana, o Dow Jones caiu 18,15%, o pior fechamento semanal da história do índice. Os dados também são da Economática.

O preço do barril de petróleo ficou 13% mais barato, caindo de US$ 93,88 para US$ 80,83. E hoje chegou a ser vendido por US$ 77,09.

Em cinco dias, o dólar se valorizou 14% frente ao real. Saiu de R$ 2,038, na última sexta, para R$ 2,325, hoje. E bateu em R$ 2,53 na quarta-feira, obrigando o Banco Central a fazer venda à vista no mercado de câmbio. Só neste mês de outubro, o dólar já subiu 21,7%.


Collateral damage

Outubro 10, 2008

Por The Economist.

An industry suffers, and regulators have not helped

HEDGE funds are supposed to hedge. This year, they haven’t. The fund-weighted composite index compiled by Hedge Fund Research, a firm that tracks the industry, fell by 4.7% in September, the second-worst month on record. Since the start of the year it has lost 9.4%. The industry’s promises of “absolute returns” for investors now ring rather hollow.

To be fair to them, hedge funds have not been allowed to hedge. The restrictions on short-selling (betting on falling prices) imposed by regulators round the globe have played havoc with managers’ strategies in recent weeks.

Take the worst-performing strategy, convertible arbitrage, which lost the average fund 12% in the month. Convertible bonds are fixed-income securities that can be exchanged for shares in the issuing company. 

Historically, these bonds have been underpriced, because too low a value has been placed on the right to convert them to equity. So arbitrage managers have tended to buy the bonds and sell short the shares. Thanks to the Securities and Exchange Commission’s ban on the shorting of more than 900 stocks from September 19th to October 8th, that strategy no longer worked. And since the managers could not short the shares, they had to sell the bonds. As a result, the bonds’ prices plunged.

Perversely, issuing convertible bonds would have been one way for banks to raise capital. But that route has been cut off, a typical example of the unintended consequences of meddling with the markets in response to populist pressures.

Another strategy that has suffered is statistical arbitrage, known in the trade as “stat arb”. Such funds use computer models to look for anomalies in the market, and exploit these wrinkles by buying and selling shares very rapidly. By doing so, they provide liquidity to the system, in effect acting as marketmakers.

Without the ability to short many shares, stat-arb models have been disrupted. The cost of trading in such stocks (defined by the difference between the bid and offer prices) duly rose, more than doubling according to Credit Suisse. The market became less liquid, adding to the volatility of share prices in recent weeks.

And then there is the most popular type of hedge fund, long-short equity. Such funds rely on the stockpicking ability of their managers, buying their favourite shares and shorting companies they dislike. If the managers make the right selections, they can protect investors from a falling stockmarket. In the first half of the year, for example, a popular strategy was to buy commodity-related stocks (such as miners) and short the banks.

Again, the shorting ban disrupted that strategy, forcing managers to cut their long positions as well as their shorts. Because many in the market were well aware of the favourite positions of hedge-fund managers, prices of some of those shares have fallen rapidly–another unintended consequence of the shorting ban.

Nor is that the end of the hedge funds’ problems. As an investment bank, Lehman Brothers was active in prime brokerage, a vital source of finance for hedge funds. When prime brokers lend money to hedge funds, the funds are required to put up collateral (Treasury bonds and the like). Lehman then used this collateral as security for its loans, a standard industry procedure known as “rehypothecation”. But the result has been that assets belonging to some hedge funds have been ensnared by Lehman’s bankruptcy. One leading lawyer describes this as “an unmitigated disaster”.

In addition, the remaining prime brokers have become more cautious about their exposure to hedge funds. This week the IMF cited figures showing that funds are now required to put up collateral of 25-40% of the capital when trading in high-yield bonds, against 10-15% in April 2007.

All this means that hedge funds have been unable to ride to the rescue of global markets. According to the IMF, the average cash balance of hedge funds has risen from 14% last year to 22%, while the amount of leverage (borrowed money) they use has fallen from 70% of capital to 40%. In theory, that gives them the firepower to buy now that prices have fallen; in practice, they may need their cash to repay clients that want to redeem their holdings.

Charles MacKinnon of Thurleigh, a fund manager for private clients, says it has given notice on some 70% of its hedge-fund positions.

Individual hedge funds will doubtless be brought down by this crisis. Their fall will have far less economic impact than that of either Lehman or Bear Stearns, although if they are forced to sell assets that will not help the banks. But the industry can feel justifiably aggrieved. It has not only been clobbered by a crisis that started in a regulated industry (investment banking), but it has been given a good kicking by the regulators too.


A crise não acaba com uma tacada

Outubro 9, 2008

Por Carlos Alberto Sardenberg, CBN.

As pessoas ficam ansiosas com a crise porque têm uma percepção errada sobre como ela vai terminar.

As pessoas, inclusive os especialistas no mercado, esperam ou torcem para que a crise termine com uma tacada, um grande lance das autoridades monetárias. Por isso, quando observam um grande lance sendo feito – como o pacote americano, o inglês e a redução coordenada de juros globais – e não percebem o imediato fim da crise, se desesperam e acham que não tem mais jeito. Isso desfecha ordens de venda – ou de compra, no caso nosso do dólar – e a crise aumenta.

Por isso, é bom ter em conta que a crise não acaba de uma só vez, mas com a combinação de muitas medidas que são tomadas pelos governos, bancos centrais e pelos próprios participantes do mercado. Por exemplo, é preciso que os administradores das instituições financeiras ganham confiança para voltar a emprestar dinheiro para empresas e pessoas, a prazos razoáveis.

No início deste semana, grandes companhias americanas só conseguiam tomar empréstimo para capital de giro por um dia.

Portanto, não se desespere com as súbitas quedas dos mercados. Preste atenção no conjunto. Todos perceberão quando as peças começarem a se encaixar: a volatilidade vai diminuir.

Não se concluirá então que a criser acabou, mas que a fase aguda passou. E aí se inicia a lenta recuperação da capacidade de crescimento.


Hedge Funds Opening To New Investors

Outubro 9, 2008

Postado no blog Bull Bear Trader. 

It appears that one potential opportunity has presented itself as a result of the ongoing credit crisis. Many larger investors investors who qualify for hedge fund investment, but who have previously been shut out due to their fund of choice being closed, may now have their opening (see Reuters article).

Mass redemption are causing funds that previously closed their doors to open them back up. Of course, for many hedge funds this would still require you to have up to half a million dollars, and also nerves of steel given the daily developments in the market. While at a loss, hedge funds on average are still “only” down 9.41 percent, compared to the 30 percent drop in the DJIA over the same time frame.

Yet a loss is a loss. Of course, even if you feel that the market has bottomed and decide to park your money in a hedge fund, the fund may not put your funds to work right away given that money is still being kept on the sidelines in order to deal with future redemption.

Furthermore, while long-term investors should be rewarded, there is always a worry that hedge funds that continue to see larger losses and redemption may also force them to close-up shop and start new if current performance takes them too far away from any internal high water marks that are necessary to once again start taking performance fees. While the dawn does come after the darkest part of the day, it may unfortunately still be too soon to know how late it is in the evening.

 

Acesse o blog Bull Bear Trader


Mercado sem parâmetro e volátil

Outubro 8, 2008

Por Leonardo Zanelli, MiriamLeitão.com.

“O mercado está sem racionalidade, em extrema volatilidade”. A afirmação é de um economista do mercado financeiro, depois deste dia de grande oscilação na Bovespa e também em bolsas de fora. Hoje, o Ibovespa variou quase três mil pontos entre a máxima e a mínima do dia, fechando em queda de 3,85%, em 38.593 pontos. Isto depois de cair mais de 6% e chegar a subir 0,75%. Os dois extremos do dia ocorreram em menos de uma hora.

O dólar também variou muito durante o dia, chegou a ser cotado a R$ 2,48, e terminou o dia a R$ 2,28, com queda de 1,34%. Os motivos para a queda foram os leilões do Banco Central, que vendeu, em três leilões, US$ 1,549 bilhão. Os dados são da NGO Corretora, já que o BC não divulgou os valores. Além disso, teve o leilão de swap, que ficou em US$ 1,27 bilhão. 

- É difícil resumir o que está acontecendo hoje. Todo mundo está perdido. O mercado não tem confiança nas ações feitas pelos governos e pelos bancos centrais. Além disso, com o setor financeiro lá fora pedindo ajuda, ninguém fica sabendo o tamanho real da crise e ninguém quer comprar posições – disse Rafael Moysés, da Umuarama Corretora.

Como já dissemos aqui, o dia foi de queda na Europa e na Ásia. Hoje também saiu a atividade econômica da Zona do Euro no segundo trimestre, que ficou negativa em 0,2%, contra alta de 0,7% no primeiro trimestre. Ou seja, na Europa, os dados dos meses da crise ainda não saíram.

- No início de setembro, ninguém imaginaria esta profundidade para a crise. Agora, a sensação é de aversão ao risco e de incerteza, não só sobre o mercado, mas também sobre a economia real – contou Ivo Chermont, economista da Modal Assett.

Para ele, a ação conjunta dos bancos centrais foi mais para conter a contaminação da crise na economia real do que para aliviar o mercado. E o mercado já está avaliando a possibilidade de uma recessão mundial nas suas atividades.

- Os bancos centrais estão vendo que a economia real pode ser afetada e estão tentando conter a contaminação disso no mercado financeiro. A idéia é evitar um círculo vicioso – disse Chermont. O círculo vicioso é: a crise no mercado financeiro vai para a economia real, que capta menos, investe menos, produz menos e, com isso, devolve a recessão ao mercado financeiro.

Para os economistas, fica difícil fazer previsão do que pode acontecer amanhã. Uma alta na bolsa, por exemplo, não significaria que tudo estaria resolvido. Mas uma queda também não será o fim do mundo. Neste momento, além das incertezas entre as instituições do mercado financeiro que estão saudáveis, há a incerteza sobre o impacto da crise na economia real: até que ponto vai a recessão? É isso que está todo mundo tentando descobrir.


“Fundamentalists versus Realists”

Outubro 8, 2008

Pelo Blog Economist’s View

Paul Romer says some fundamentalists need to get real:

Fundamentalists versus Realists, by Paul Romer: Debate among economists about the $700 billion Paulson plan reveals a deep divide between realists and fundamentalists. …

The formal, model-based approach of the fundamentalists has contributed much to progress in economic analysis. At key junctures, it has also made important contributions to policy. The challenge is to maintain an intellectual environment that leaves space for … realists as well. In complicated policy contexts where models don’t yet capture key forces, the realists have much to offer…

 

The key difference lies in the relative weight each side gives to formal models as opposed to judgment.

 

Fundamentalists have an unswerving faith in models. Policies should always be derived from the best available model. Data should be filtered through a model. If an observation does not fit within the context of a model, it should be excluded from consideration. Realists are more conscious of the limits of models and more comfortable with a division of labor between the researcher who improves the models and the clinician who makes policy decisions. They recognize that the power of models comes precisely from a commitment to abstraction that filters out potentially important complexity. They believe that useful evidence can accumulate with direct experience as well as through the research process of testing and refining models. They believe that researchers should consider the possibility that the fault lies with the model when its predictions diverge from clinical judgment and that policies should draw on both sources of evidence.

 

Many times, the confidence fundamentalists have had in abstract models turned out to be well founded and the objections raised by realists who were more focused on details were misplaced. The fundamentalists were right that an airline industry could still function even if airlines could set their own fares; that people could still talk to each other even if they purchased phone service from different companies. The realists pointed to all the complicated details that arise in such markets, details that simple models could not capture. Fundamentalists, correctly, ignored the detail and pushed prescriptions based on the textbook model of competition.

 

Other times, the models are missing something that is too important. In the study of macroeconomic fluctuations, real business cycle theorists and their descendants, the dynamic stochastic general equilibrium modelers, are the quintessential fundamentalists. Their models are a useful way to make research progress, but in macroeconomic policy making, the great depression, which these models cannot explain, is a decisive data point warning us that the models are incomplete and have to be supplemented by clinical judgment.

 

In the current crisis, the astonishing and unexpected consequences of the Lehman Brothers bankruptcy should serve as a similarly decisive data point. On the Thursday and Friday before Lehman filed for protection, I was at a conference on the financial crisis. Everyone there expected them to file on Monday. We repeated for each other all the fundamentalist arguments: “Everyone had been given time to prepare.” “The courts handle bankruptcies all the time.” None of us expected that putting Lehman through a court managed bankruptcy would be much different from arranging a forced sale of Bear Stearns. We were all wrong. Within days, AIG was insolvent. Runs were developing on Goldman Sachs, Morgan Stanley, and the entire money market fund industry. Banks had stopped lending to each other in the Fed Fund market. Rates on Treasuries approached zero.

 

In response, the Treasury, Fed, and market regulators took drastic steps that the fundamentalists would surely have opposed had there been time for debate. … Looking back, it appears that they had enough sand bags to hold back the flood and stop the panic, but perhaps just barely enough. This is not a data point that can be dismissed as an outlier. It is the kind of observation that should make the fundamentalists just a bit less confident in their models and a bit more willing to listen to the realists who are willing to defer to the policy makers on the front lines. …

 

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What You Should Expect…

Outubro 8, 2008

Pelo Blog Markets by Fact Finder

Conforme comentei em outras oportunidades, o processo decisório por meio de charts analysis não é uma atividade preto-no-branco. Na maior parte do tempo, em qualquer timeframe examinado, chart são ambíguos. Então, em lugar de algo “preto” ou “branco” esperem muitos “tons de cinza”. E o que fazer quando os technicals estiverem alinhados? Nessas poucas vezes, amigo. Não pense duas vezes. Pule com os dois pés dentro do barco. Lembro a última vez em que isso ocorreu e não pude participar da festa…numa tarde opções ATM de Petrobras PN subiram mais de 100%. Não participar de um rally previsível é doloroso.

Em processos de reversão devemos esperar uma redução progressiva da volatilidade aliado a um price action benigno. Ocorre que aquela – apesar dos níveis estratosféricos – não se reduz. Leigos têm opinião contrária. Imaginam que dias de abertura forte nos mercados – depois de circuit breakers* acionados no dia anterior – são sinais de compra, quando na verdade são excelentes oportunidades de venda. Bottoms são fenômenos extremamente complexos porque envolve um “vai-e-vem” intenso (ebb-and-flow) na psicologia da massa.

A débâcle atual dos mercados – se avaliada pelos níveis de volatilidade – já é bem mais potente que o estouro da Bolha Dot Com na Nasdaq. Se imaginarmos que atingimos esse estágio em uma leg down apenas percebe-se que o potencial destrutivo do bear market que vemos é imenso**. Na época havia a percepção de uma bolha setorizada, hoje os mercados parecem ter perdido noção de precificação. Os preços correntes dos assets pelo mundo embutem uma combinação cancerígena de alavancagem e excesso de Ms (meios de pagamento), resultante de uma política monetária permissiva dos bancos centrais.

* A propósito, de que adianta circuit breaker se os negócios com ADRs na NYSE e a atividade lá continua normalmente? Só em Pindorama mesmo…

** Se quiserem comento sobre o assunto em outra oportunidade.

 

Acesse o Blog Markets by Fact Finder


Não há lógica no pânico

Outubro 6, 2008

Por Carlos Alberto Sardenberg, CBN.

É praticamente impossível entender o comportamento dos mercados em ambiente de pânico. Para os investidores em geral, também é praticamente impossível definir um padrão quando há tantas variáveis no ar.

E as dúvidas principais são:

Nos EUA, o tamanho da desaceleração e/ou recessão e, no curto prazo, saber se o plano de resgate do sistema financeiro vai funcionar.

Na Europa, inquietação com a expansão da crise bancária e, mais ainda, dúvidas em relação à capacidade da União Européia dar uma uma resposta conjunta. Além disso, está certo que a economia da região está caindo fortemente.

No mundo emergente, a inqueitação é com o impacto da crise no crescimento, que vinha bem forte. A China substitui os EUA?

No mundo asiático, os bancos parecem bem, mas os países são dependentes de exportações para EUA e Europa, que vão comprar menos.

Enfim, o nome da coisa é crise de confiança.


Aprovado pelo pânico?

Outubro 3, 2008

Esse vídeo está publicado no blog Cinco pesos de dois quilos, e realmente nos faz suspeitar sobre o plano de resgate aprovado pela Câmara em Washington.
Será mesmo que ele foi aprovado após sérias discussões sobre seu verdadeiro efeito e se ele pode e vai salvar a ecônomia americana?

“Ou será que a bronca é pior do que estão nos dizendo?”

Acesse o blog Cinco pesos de dois quilos.


Mercados, entre a esperança e o medo

Outubro 2, 2008

Por Carlos Alberto Sardenberg, CBN.

 

No ambiente de nervosismo, as expectativas se formam mais na base da esperança e do medo.

Só a esperança pode explicar a expectativa de que a aprovação do pacote americano seja “a” solução.

Mesmo considerando que a Câmara aprove amanhã mesmo o projeto do Senado, ainda há muito caminho pela frente.

É preciso que se viabilizem os US$ 700 bilhões na conta da Secretaria do Tesouro e é preciso que esta inicie o complicado trabalho de selecionar e comprar os títulos podres.

Será preciso definir critérios, organizar os leilões, definir preços. Logo, não é assim simples: aprovou o pacote, estamos salvos. Mas como, diante da situação difícil, as pessoas se agarram ao pacote, quando percebem que há muito problema pela frente, passam para o pessimismo – o medo de que nada vai adiantar e o mundo vai mesmo acabar.

Dias difíceis. Nesses momentos, os fundamentos e os fatos sofrem.

 

PARAFRASEANDO SARDENBERG “MERCADOS, ENTRE A EUFORIA E O DESESPERO”